1 de fevereiro de 2005

Acerca do Reino Animal

Duas coisas podem acontecer, se nos encontrarem na rua: ou nos veneram, ou nos apedrejam. Caso o Sr. leitor adopte a segunda opção peço-lhe, e falo por mim, que seja clemente na escolha da matéria constituinte do projéctil a arremessar visto que, note bem, o meu couro cabeludo é alérgico a pontas aguçadas e superfícies grosseiras.

Oh void, da próxima vez, gravar a voz depois da guitarra, se fazes favor, porque tocar enquanto se ouve aquilo... imaginem como será. Deprimente.

P.S. - Quase me esquecia (mas é demasiado importante para que tal acontecesse) de informar os respeitados leitores (se bem que aquelas canções podem ser vistas como uma falta de respeito) acerca das letras das canções, as quais publicaremos se tivermos suficiente feedback positivo.

Afro dizia: Cú

Muita música para descontrair tem sido feita ao longo dos tempos. Agora, e em primeira mão (ou em primeiro esófago), a equipa do Jesus Quisto orgulha-se de apresentar o primeiro som desenhado para contrair tudo aquilo que já não contrai. É verdade, estes sons da selva desértica das planícies montanhosas do sul são um verdadeiro afrodisíaco... para a mente. Estimulem-se!

31 de janeiro de 2005

Estar preso é o contrário de não estar... preso.

Isto as notícias mostram cada coisa... Estava eu no meu alegre repasto do meio dia quando, de repente, aparece um tipo (devia ser o ministro da defesa, mas eu de política percebo nada) a falar sobre um novo estabelecimento prisional para mulheres (prisão para gajas, pronto), que tinha sido inaugurado recentemente. Entretanto, enquanto o homem lá desbobinava palavra atrás de palavra sobre a qualidade da mesma, iam mostrando imagens da prisão. Por momentos, pensei que se tivessem enganado na peça e que estivessem a mostrar uma escola ou assim, mas não. Aquilo parece um hotel de luxo. Será que eles estão a tentar motivar o pessoal a ir para a cadeia? É que temos escolas em que chove nas salas de aula e onde os alunos morrem de frio, e depois temos prisões com condições que fazem com que muito político não se importasse de, por uma vez na vida, deixar de lado os seus princípios éticos e cometer uma acção menos própria, ilegal até.

Acho isto triste. Relembro com saudade os bons velhos tempos, quando estar preso era sinónimo de pernoitar assustado contra um canto do beliche, de vidro na mão (sim, porque lá dentro não há facas), com medo das milhentas ratazanas prontas a atacar ao mínimo sinal de queda das pálpebras.

30 de janeiro de 2005

Vou ou fi(s)co?

Algo que me atormenta desde que nasci é a tendência do ser humano para a tentativa de assassinato (ou mutilação, vá lá) da linguagem utilizada. Uma troca comum, geralmente com a capacidade de me alegrar, é a da utilização de "torcicólogo" em vez de "torcicolo". Depois de (ainda) outra visita ao dicionário, fico a saber que torcicolo é, e passo a citar, "Rodeio; inclinação da cabeça e do pescoço, em regra dolorosa". Portanto, se bem entendi, qualquer inclinação da cabeça, mesmo que não dolorosa, pode ser considerada um torcicolo desde que, claro está, inclua também uma inclinação do pescoço.

Por outro lado, rodeio está definido como "perífrase, subterfúgio". Esta última, como todos sabem, significa "evasiva". Enquanto lia isto não pude deixar de pensar como é que nunca ouvi alguém falar em "Torcicolo fiscal"...

Finalmente, um pensamento para quem tem o hábito de trocar "torcicolo" por "torcicólogo". Meus amigos: Torcicólogo é o tipo que trata das evasões fiscais!

29 de janeiro de 2005

Já estive

Sou só eu, ou mais alguém reparou na estupidez que é atender um telefone com "Estou?". Que raio de dúvida existencial se esconde por trás disto? Será que a maior parte das pessoas duvida que existe e está a tentar que lhe confirmem? É por essas e por outras que eu agora atendo o telefone assim: "Queque keres, k@ralhu?"*.

* (Uma boa asneira costuma ter piada. A referência ao orgão sexual masculino não denota que o autor tenha qualquer tipo de conversação com o mesmo até porque, como todos sabem, o pénis é esquizofrénico e só fala sozinho)

28 de janeiro de 2005

Manias

Os desenhos animados de hoje em dia cada vez me surpreendem mais. Numa de zapping, passei pelo canal Disney e reparei que estava a passar um cartoon do Aladino. Às páginas (ou frames) tantas diz o génio: "O monstro vai levar com uma semi-fenomenal, e quase cósmica, enxaqueca". Resolvi ir ao dicionário (salvo seja), procurar o significado de "fenomenal", e diz o seguinte: "Fenomenal, adj. 2 gén. Espantoso; enorme; singular". Então, se bem percebi, o monstro vai levar com uma semi-espantosa, semi-enorme e semi-singular (e quase cósmica) enxaqueca. Semi-espantosa ainda passa, semi-enorme tudo bem, agora semi-singular tenham paciência... Isto estamos quase na ideia do "aviãozinho"; ou é plural ou é singular. Como é possível uma enxaqueca ser semi-singular? É coisa que não lembra ao Diabo.

Ainda numa de leituras de dicionário (já vou na letra C, mas passei pela M e pela F) dei de caras com a palavra "Maníaco" que, segundo essa bíblia do Português, significa "que tem a mania". Então os maníaco-depressivos são o quê? Pessoas que têm a mania que estão deprimidas? Mas agora reparem nisto: "Mania" significa Excentricidade ou Esquisitice. Então maníaco-depressivo é aquele que sofre de uma esquisitice que o leva a pensar estar deprimido? Isto é muito complexo para mim.

São Pedro (un)plugged!

S. Pedro, o santo das chaves... o que há a dizer-se sobre este fulano? Pessoalmente sempre me foi passada a ideia, pela minha avó (que não sei se não terá assistido ao sucedido), de que o indivíduo em questão era muitas vezes desagradável e mesmo ruim para com as raparigas que se deslocavam à fonte com o intuito de transportar água para as suas casas, partindo-lhes as respectivas cântaras.

Quando eu era mais novo não ligava muito a isso, mas há coisa de dias, já depois da minha tranformação para JQ'ólogo*, não pude deixar de sorrir ao ouvir isto e pensar "será que o que este dinossauro partia não eram as bilhas?". Escrevi um pequeno texto dramático, para se perceber a lógica da coisa e reflectir (flectir, primeiro).

(Aviso prévio aos eventuais realizadores pornográficos: se eu vir algum filme com este texto ponho-vos um processo em cima... um pesado, que vos faça mal às costas!)

Menina Qualquer: O que é isso, meu senhor?

S. Pedro: Ora, minha menina, o que temos aqui é uma ditadura e um molho de chaves... isto é tudo meu, e já agora chega aqui, que eu acho que tenho a chave para essa cântara magnificente que aí tens.

MQ: Mas senhor, com essa chave tão grande ainda me parte a cântara, e sem ela não posso levar a água para casa.

SP: Áh.. eu disse cântara? Queria dizer bilha, vou partir-te a bilha!

*JQ'ólogo: estúpido que não tem outra ocupação nem adjectivação possível senão essa mesma.